A temporada 2025 da MLS começa neste sábado (22), às 18h30 (de Brasília), com o Los Angeles FC enfrentando o Minnesota United no jogo de abertura. Às 21h30 do mesmo dia, o Inter Miami de Lionel Messi entra em campo contra o New York City FC no primeiro passo do último ano de contrato da grande estrela do campeonato.
A situação contratual do argentino gera muita preocupação nos Estados Unidos porque, fora as performances espetaculares que ajudaram o Inter Miami à chegar aos playoffs da liga em 2024, Messi tem gerado revoluções em todo o campeonato, inclusive nos outros times e na maneira como eles encaram o embate contra o campeão da Copa do Mundo muito além da parte tática.
No ano passado, apenas dois dias antes do Vancouver Whitecaps receber o Inter de Miami em casa, o time canadense fez um anúncio sem precedentes que enfureceu os torcedores e repercutiu bastante, deixando inclusive o time de Messi sem respostas.
“Embora não tenhamos recebido uma atualização oficial sobre a disponibilidade de Lionel Messi, Luis Suárez e Sergio Busquets para este fim de semana, entendemos que eles não farão a viagem”, disse o CEO do Whitecaps, Axel Schuster, em comunicado divulgado à época.
“Infelizmente, não temos controle sobre quem joga pelo nosso adversário, e foi importante para nós comunicarmos aos nossos torcedores o mais rápido possível”, acrescentou.
Apesar da ausência do jogador da seleção da Argentina, os Whitecaps prometeram seguir com as comemorações programadas para antes da partida, que incluíam uma festa, churrascos e várias ativações fora do estádio.
O fato de uma equipe ser a primeira a revelar uma atualização da escalação de um adversário era incomum; ainda mais inédita foi a decisão do Whitecaps de oferecer um desconto de 50% na comida do estádio como forma de compensar a decepção da ausência de um jogador do oponente.
O poder de Messi de interromper o protocolo típico do dia de jogo das equipes foi visto novamente quando o Chicago Fire, também na temporada passada, anunciou um pacote de compensação sem precedentes aos torcedores caso Messi não jogasse na partida de 31 de agosto.
Nesse caso, o time ofereceu aos compradores de ingressos avulsos um desconto de US$ 250 (R$ 1.413,90 à época) em dois ou mais ingressos para a temporada 2025 do Chicago Fire ou um desconto de US$ 100 (R$ 565,56 à época) em dois ou mais ingressos avulsos para o jogo em casa contra o Inter Miami em 2025.
Ainda assim, um Inter Miami sem Messi produziu os maiores públicos da temporada para o Whitecaps (51.035) e para o Fire (55.385), o que ajuda a explicar por que as equipes estão se esforçando para atiçar a “Messimania“.
Messi traz estádios maiores e preços mais altos
Quando o argentino chegou à MLS em 2023, as equipes se adaptaram rapidamente para receber um dos maiores jogadores da história do futebol. Agora, entrando na 3ª temporada de Messi, a liga continua a lidar com as circunstâncias revolucionárias que cercam os jogos dele.
Quando os times se preparam para receber o Inter Miami, não se trata apenas de parar Messi em campo: eles também precisam tentar lucrar o máximo possível. Para isso, há uma mudança dos jogos para estádios maiores, uma preparação para as multidões e campanhas em torno da chegada de um elenco estrelado. Novas estratégias de marketing especializadas começaram a ser executadas nas redes sociais e sites das equipes no dia em que a programação de 2025 foi anunciada.
A expectativa de enfrentar Messi levou cada adversário do Inter Miami a tomar decisões diferentes, mas todos fizeram mudanças para dar conta do aumento da atenção, e 2025 certamente trará mais abordagens ainda mais inovadoras. Afinal, com o último ano do contrato do astro, as outras equipes talvez não tenham mais chances de aproveitar sua presença.
O Sporting Kansas City, por exemplo, normalmente joga no estádio Children’s Mercy Park, específico para futebol e com capacidade para 18.467 espectadores. Mas quando enfrentou o Inter Miami na última temporada, o time foi para o Arrowhead Stadium, do Kansas City Chiefs, da NFL, com capacidade para 76.416 pessoas.
O preço dos ingressos variava de US$ 100 (R$ 513,58 à época) a US$ 290 (R$ 1.489,39 à época) na parte superior e de US$ 180 (R$ 924,44) a US$ 600 (R$ 3.081,48) na parte inferior, dependendo da proximidade do campo – o dobro dos ingressos típicos do Children’s Mercy Park, dependendo da seção.
Esse jogo em Kansas City foi um sucesso de vendas. Atraiu 72.610 torcedores, o 4º maior público da história da MLS e o maior número de torcedores a assistir a um jogo durante a temporada regular de 2024.
O Charlotte FC, o New England Revolution, o Chicago Fire e o Atlanta United já jogam em grandes estádios da NFL, mas optaram por expandir a variedade usual de ingressos para que pudessem acomodar os novos torcedores locais do Inter Miami. Esses times geralmente fecham as arquibancadas superiores, deixando apenas as seções inferiores disponíveis para compra, mas mudaram suas políticas contra Messi.
Em 2023, o Atlanta recebeu um público de 71.635 pessoas no Mercedes-Benz Stadium para enfrentar a equipe de Miami – a média de público da equipe na época era de 47.526 pessoas, a maior de qualquer equipe da MLS em 2023. Quando venceram por 2 a 1 na última temporada diante de 68.455 espectadores, foi o 5º maior público de pós-temporada da história da liga.
Em Charlotte, cerca de 66 mil torcedores lotaram o Bank of America Stadium para um jogo da temporada regular que muitos descreveram como um dos mais esperados da história da franquia. A única vez que o time teve um público maior foi em sua partida inaugural, diante de 74 mil torcedores. Fora isso, o time tem uma média de cerca de 36 mil torcedores em um jogo da temporada regular.
O Revolution, que fundou a MLS e que está na liga desde 1996, atraiu um público recorde de 65.612 torcedores no Gillette Stadium, casa também do New England Patriots, na última temporada quando recebeu Messi. Isso superou o recorde de público da final da MLS Cup de 2002 em 4.296 torcedores, número que permaneceu insuperável por 22 anos.
“Ver as massas ganharem vida sempre que aparecemos é algo muito legal”, comentou o lateral Julian Gressel, do Inter Miami.
“É incrível ver o apoio que nos acompanha. Há alguns jogos em que é um pouco estranho, como em D.C. ou New England, por exemplo, a multidão é praticamente pró-Miami e pró-Messi”, salientou.
Ao receber o Inter Miami em estádios menores e específicos de futebol, os ingressos se esgotam rapidamente, o que gera um mercado de revenda competitivo.
O Saputo Stadium do CF Montréal tem capacidade para 20.521 torcedores – um ingresso médio em 2024 pode custar até US$ 69 (R$ 354,37), com o mais baixo custando apenas US$ 13 (R$ 66,76), de acordo com o site especializado Seatgeek. Mas contra o a equipe de rosa, a média disparou para US$ 465.
O jogo da temporada regular de 2024, organizado pelo CF Montréal contra o Inter Miami, agora está entre os 10 mais caros da MLS desde 2009, de acordo com o site VividSeats. O ingresso mais barato disponível custava US$ 325 (R$ 1.672,38 à época), enquanto o mais caro chegava a US$ 729 (R$ 3.751,28 à época) dias antes do jogo.
Os preços altos também não impediram os torcedores. O Estádio Saputo lotou, recebendo 19.619 torcedores fervorosos vestidos com todos os tipos de fantasias para mostrar seu apoio.
“O impacto da chegada de Messi ao Inter Miami continua a ser importante, com o aumento da demanda global na StubHub”, disse o porta-voz da empresa de revenda de ingressos, Adam Budelli, em um comunicado.
“O aumento nas vendas para o Inter Miami, e para a liga como um todo, é uma prova de seu legado como astro do futebol. A influência de Messi se estende além dos limites de seu estádio, impulsionando a demanda de compradores de todo o mundo”, completou.
Um burburinho nunca antes visto na MLS
Peter Vermes, técnico e diretor esportivo de longa data do Sporting Kansas City, diz que a MLS avançou muito desde que ele começou na carreira em 2009.
Ele foi testemunha da maioria das maiores contratações da liga, incluindo David Beckham, Zlatan Ibrahimovic, David Villa e Thierry Henry. E, ainda assim, ele diz que a mania em torno de Messi continua inigualável.
“Em 2010, jogamos contra o Manchester United no Arrowhead Stadium e tivemos algo em torno de 56 ou 58 mil torcedores, e isso foi um grande marco para nós”, recordou Vermes.
“Agora, você não está trazendo um dos times mais famosos do mundo para jogar contra nós. Estamos falando de jogar contra outra equipe da MLS. E agora você tem esse público de 72 mil pessoas. Isso, por si só, é inacreditável”, exclamou.
“É uma progressão fenomenal que aconteceu na liga deste ponto de vista… É como quando Michael Jordan costumava ir a lugares diferentes e, de repente, eles se esgotaram porque outras pessoas também queriam vê-lo jogar”, comparou.
Quando o Houston Dynamo enfrentou o Inter Miami na temporada passada na final da US Open Cup, uma competição que tem lutado para se firmar no futebol dos Estados Unidos, Messi também deu um impulso. A disponibilidade do argentino para a partida era questionável nas horas que antecederam o pontapé inicial, mas o zagueiro do Dynamo, Griffin Dorsey, disse que o burburinho criado por ele continua inigualável na MLS, estando ou não em campo.
“O fato do Messi estar presente acrescentou algo ao jogo que não teria acontecido se ele não estivesse”, disse Dorsey.
De fato, o mero pensamento da presença do atacante causa comoção, disse o técnico do Dynamo, Ben Olsen.
“Messi dá um toque especial a este jogo”, disse Olsen à ESPN. “E ele conseguiu fazer isso com a liga e com qualquer adversário que esteja se preparando para enfrentar esse time no momento. Eles se transformaram em uma destaque”.
A MLS anunciou que a média geral de público aumentou em 23.240 em 2024. 10 jogos tiveram pelo menos 45 mil torcedores, cinco jogos tiveram mais de 50 mil e três ultrapassaram os 60 mil. O Inter Miami participou de seis desses 10 jogos, e o time da Flórida estabeleceu o recorde da temporada ao jogar contra o Sporting Kansas City no Arrowhead Stadium.
“O impacto de Messi foi inimaginável”, disse o comissário da MLS, Don Garber.
“As métricas dentro e fora do campo têm sido espetaculares. E é ótimo ver Leo Messi entregando da maneira que esperávamos que ele fizesse”, acrescentou
Sem dúvida, onde quer que Messi vá, as multidões o seguirão e as normas serão quebradas. Nada menos que isso deve ser esperado em 2025, já que a possibilidade da última temporada de Messi na MLS permanece na mente dos torcedores – e das equipes adversárias.